Se você opera câmaras frias com controladores Full Gauge, há boa chance de usar o Sitrad para acompanhar a temperatura. É uma combinação sólida e muito comum na refrigeração brasileira. Este artigo explica, de forma técnica, o que esse tipo de monitoramento entrega hoje e como ter predição de falha sobre a mesma infraestrutura, sem trocar nenhum equipamento.
O Sitrad, conforme a documentação da Full Gauge, é um software de monitoramento e gerenciamento em tempo real. Na prática, ele:
Para a operação do dia a dia, isso resolve a pergunta "como está a câmara agora?". É a base correta, e o dado que ela gera é justamente o que torna o próximo passo possível.
Aqui não se trata de um defeito do Sitrad especificamente, e sim da categoria de monitoramento por limite, à qual a maioria dos sistemas pertence. Um alarme por limite é, por definição, reativo: ele dispara quando o valor já saiu da faixa. No instante em que o aviso chega, a carga já está em risco.
O problema é que a degradação que leva à falha (um compressor perdendo capacidade ciclo a ciclo, um degelo ficando ineficiente, a serpentina que demora mais a baixar a temperatura) costuma começar dias antes do momento em que a temperatura cruza o limite. Esse sinal está nos dados que o controlador já registra. Falta, na abordagem por limite, modelar a tendência para enxergá-lo antes do alarme.
A predição de falha é uma camada analítica que lê os mesmos dados, pelo mesmo protocolo (RS485/Modbus), e modela a tendência de cada variável para antecipar o desvio. Em vez de esperar o limite ser cruzado, ela identifica a inflexão da curva, por exemplo o tempo de pulldown subindo ciclo a ciclo, e avisa enquanto ainda dá para agir.
O ponto importante para quem já tem Full Gauge e Sitrad: isso não exige trocar de controlador. O hardware continua o mesmo. O que muda é o software que lê esses controladores. Como o barramento Modbus opera com um único software de leitura por vez, esse software de predição assume a leitura no lugar do monitoramento atual, entregando tudo o que ele já entrega (temperatura em tempo real, histórico, alarmes) e somando a predição. É uma evolução do software de monitoramento, não um segundo sistema rodando em paralelo.
A diferença não está na tela que você abre. Está em quando você recebe a informação: depois que o problema aconteceu, ou dias antes, a tempo de fazer manutenção programada em vez de descobrir a carga estragada numa segunda de manhã.
Full Gauge e Sitrad são uma base correta. O dado necessário para prever a falha já existe nos seus controladores. O que muda o resultado é a inteligência que lê esse dado e o que ela devolve: tempo. O tempo entre "vai falhar" e "falhou" é o que decide se você faz manutenção planejada ou perde a carga.
Veja como ter predição de falha nos seus controladores Full Gauge →